Matéria Revista Construtores

 MANUTENÇÃO DE VICINAIS

 

 

 

 

 

 

 

O engenheiro Douglas Fadul Villibor é um dos maiores pesquisadores e especialistas brasileiros em desenvolvimento de metodologias para pavimentos de baixo custo, classificação de solos tropicais para utilidades rodoviárias e desenvolvimento e gestão de estruturas rodoviárias. Com mais de 110 trabalhos publicados no Brasil e no exterior, é o responsável desde os anos 70, ao lado de Job S. Nogami, pelo desenvolvimento de metodologias de uso de solos tropicais que levaram à normatização de padrões técnicos nacionais nas áreas de engenharia rodoviária e tecnologia de pavimentos.

Doutor em Transportes (Estradas e Aeroportos), pela Escola de Engenharia de São Carlos EESC-USP, com a tese “Pavimentos Econômicos – Novas Considerações”, mestre com a tese “Utilização de Solo Arenoso Fino na Execução de Bases para Pavimentos de Baixo Custo”, Villibor também foi docente do Departamento de Vias de Transporte e Topografi a da EESC-USP, engenheiro do DER-SP, além de consultor de órgãos como a EMURB, METRÔ, FIPAI, entre outros. Com os livros “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos”, publicado com Job Nogami, “Pavimento de Baixo Custo para Via Urbanas, bases alternativas com Solos Lateríticos”, publicado com Job Nogami, Cincerre, J. R, Paulo Serra e Alexandre Zuppolini, o engenheiro Douglas Villibor vem contribuindo para a elaboração de normas, padrões brasileiros e manuais técnicos brasileiros na área de engenharia de estradas, estradas vicinais e pavimentos rodoviários e urbanos. Nessa entrevista, o engenheiro discorre sobre a importância de um plano de gestão de manutenção de rodovias vicinais para redução de custos e ampliação dos benefícios aos usuários e aos órgãos públicos.

Qual a filosofia de manutenção de estradas vicinais? Douglas Villibor: A observação sistemática de rodovias vicinais mostra que a grande maioria, apesar de ter recebido somente serviços rotineiros de manutenção emergencial, apresenta um desempenho excepcional; porém, em muitas delas,

o revestimento das pistas e dos acostamentos está altamente desgastado por haver ultrapassado, há muito tempo, a vida de serviço prevista. O desgaste do revestimento expõe as camadas da base e propicia o início da formação de panelas que aceleram a degradação do pavimento como um todo. Ocorre também, em muitas vicinais, por ausência de manutenção preventiva e pela não existência de proteção lateral dos acostamentos (sem grama), uma erosão que expõe as bordas do pavimento à penetração de água; isso provoca o amolecimento das camadas da base e do reforço, propicia o afundamento dos rodeiros, facilita o empoçamento da água e acelera o aumento de umidade na base. Como consequência, forma-se um ciclo que, uma vez estabelecido, culmina na degradação completa do pavimento. As rodovias que ainda não atingiram esse estágio, assim como aquelas que já foram recuperadas, devem ser mantidas em condições técnico-econômicas adequadas. Para isso, os organismos rodoviários responsáveis pela rede devem implementar um Plano de Gestão de Manutenção (PGM) com a finalidade de evitar repetições da situação atual, que apresenta uma grande porcentagem de rodovias em estado precário. O PGM não é um simples sistema para gerenciar pavimentos, mas sim, um Plano para manter, em níveis aceitáveis, a sua serventia.

Porque é necessário um Plano de Geral de Manutenção? Douglas Villibor: Um plano de Manuntenção (PGM) é necessário para que o custo opercional de uma rodovia, assim como o nível de qualidade e de conforto para o usuário (medido pelo valor da serventia rodoviária – US) resultem num auto-benefício bem baixo. Isto significa que devem ser implementadas diretrizes e ações, para a Gestão de Manutenção da rede rodoviária, que indiquem os recursos mínimos necessários e as ações a serem implementadas através de propostas de serviços de manutenções emergenciais e preventivas em épocas determinadas.

 

 

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