Em muitas regiões do território brasileiro existem solos lateríticos finos in natura, que não apresentam características adequadas para seu emprego como bases de pavimentos. No entanto, esses solos, quando misturados entre si ou com areias, poderão fornecer materiais adequados com comportamento semelhante ao de um solo arenoso fino laterítico. Dois tipos de misturas podem ser efetuadas para a utilização desses materiais como base de pavimentos, ou seja, em caso de ocorrência de solos argilosos lateríticos (LG’) nas proximidades da obra, estes devem ser corrigidos com o acréscimo de areia laterítica quartzosa e/ou areia lavada de rio. Se houver presença de areia laterítica (LA), deverá ser acrescentado solo argiloso laterítico. Portanto, essas misturas são caracterizadas pela natureza laterítica de seu componente argiloso, que passa na peneira 0,075 mm (nº 200), e pelo uso de areia laterítica (LA) ou areia de cava ou lavada de rio. As misturas de argilas lateríticas com areia (ALA) são recomendadas para uso em camadas de sub-bases de vias submetidas a tráfego pesado, ou seja, número de repetições do eixo padrão de 80 kN de até 107. Quando utilizadas em camadas de bases, são indicadas para vias de tráfego leve, com um N máximo de 105. Pavimentos Urbanos com Base de Argila Laterítica com Areia (ALA) A tabela 7 ilustra algumas cidades onde já foram executadas bases de ALA, na espessura de 15,0 cm, ano de execução, bem como área construída com argila laterítica e areia e grupo MCT destes solos.
Especificações dos Componentes e da Mistura de Argila Laterítica com Areia (ALA) para Bases de Pavimentos Os componentes da mistura do tipo ALA devem atender as seguintes características, para que possam ser considerados apropriados para camadas de base e sub-base: – Solo Argiloso: – Deve pertencer à classe “L” (solo de comportamento laterítico) e grupo LG´ (argilas lateríticas) da classificação MCT. – Deve apresentar propriedades mecânicas e hídricas, quando compactado na energia normal, segundo valores indicados a seguir: – Suporte Mini-CBR na Energia Normal, sem imersão $ 12%; – RIS ou razão do Mini-CBR imerso para o Mini-CBR na umidade de moldagem $ 50%; – Expansão, sem sobrecarga padrão # 1 %. – Areia: – Deve pertencer aos grupos LA (areia laterítica quartzosa) e NA (areia não laterítica), porém isenta de mica, segundo a classificação MCT. As misturas do tipo ALA devem atender as especificações baseadas na classificação MCT e em determinações das propriedades mecânicas e hídricas, descritas a seguir: – Devem pertencer à classe de solos de comportamento laterítico. – As misturas do tipo ALA, quando compactadas, devem possuir propriedades dentro dos intervalos da tabela 8 e granulometria descontínua com graduação que se enquadre na faixa indicada na figura 20.
As misturas do tipo ALA devem se situar na área indicada no gráfico da classificação MCT, conforme ilustrado na figura 21. 
Projeto de Dosagem
O projeto de dosagem deve englobar um estudo geotécnico dos componentes da mistura (argila laterítica e areia) e uma verificação dos resultados obtidos em 3 amostras quanto ao atendimento dos requisitos indicados nas especificações, tanto dos componentes, quanto da mistura de argilas lateríticas e areia. Caso os resultados atendam às especificações, deve-se proceder à composição das misturas envolvendo amostras representativas de argilas lateríticas com areia laterítica, ou areia de cava ou lavada de rio, em porcentagens de peso. A porcentagem de areia utilizada nas dosagens de laboratório deve variar de 20, 30, 40 e 50%, não devendo ser inferior a 20%, por questões práticas, no processo de mistura em campo. Após a mistura, proceder à sua classificação e verificar sua posição no gráfico da classificação MCT, conforme figura 21. A mistura deverá situar-se, preferencialmente, na área de condição desejável, porém com a menor porcentagem possível de areia, por motivos de custos de execução.Definidas as frações de cada componente da mistura, compor mais 9 (nove) amostras de argila laterítica com areia e submetê-las aos ensaios propostos. Isto permitirá a obtenção de valores estatísticos das propriedades das misturas.
Técnica Construtiva
A tabela 9 apresenta o Procedimento Construtivo e de Controle de Bases de Misturas do Tipo ALA com a adição de areia no solo argiloso laterítico in situ. A mistura do tipo ALA também pode ser feita na jazida, com pá carregadeira, e transportada para a aplicação na via conforme indicado nas figuras 22 e 23. Detalhes construtivos de bases de ALA são mostrados na figura 24.
Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros)


