Sistemática MCT/Ensaios

Autores:

Douglas Fadul Villibor

Driely M. Lancarovici Alves

Histórico

Até 1970, o estudo de solos para fins rodoviários utilizava-se de métodos tradicionais (HRB – AASHO, USC – ASTM) no Brasil, prevalecentes até hoje em muitos organismos rodoviários. Este foram desenvolvidos para países de clima frio e temperado, o que muitas vezes leva a uma utilização inadequada destes métodos para estudo de solos de regiões tropicais, trazendo as consequências:

  • Classificação geotécnica inadequada para estudos de solos para subleito e de ocorrência para camadas de pavimento;
  • Adoção de critérios de projeto e construção de estradas geralmente incompatíveis com o desempenho de alguns solos tropicais;
  • Aumento, em muitos casos, no custo das obras rodoviárias.

A partir da década de setenta, um grupo de profissionais da área,entre eles os engenheiros Nogami e Villibor, passaram a se preocupar em resolver esta importante questão. A solução proposta pelos mesmos foi adoção de uma sistemática desenvolvida especificadamente ao estudo de solos tropicais, designada Sistemática MCT. Seu desenvolvimento foi fundamentado em pesquisas de laboratório e campo, cujos resultados foram empiricamente associadas ao seu comportamento quando utilizados em rodovias, principalmente, como subleito e/ou em camadas de pavimento. Esta sistemática é bastante ampla envolvendo novos métodos e uma série de aplicações práticas na área rodoviária.

A MCT utiliza-se de um conjunto de ensaios com emprego de corpos de prova (CPs) miniatura (M) compactados (C) por meio de procedimento  desenvolvidos em laboratório especificamente para obtenção de propriedades mecânicas e hídricas de solos tropicais (T).

O primeiro ensaio da Sistemática MCT, proposto por Nogami (1972), foi o ensaio de Mini-CBR, baseado no procedimento desenvolvido pela Iowa State University (Laufler et all, 1960). Os outros ensaios da sistemática foram propostos posteriormente por Nogami e Villibor, para a obtenção de outras propriedades tais como, contração, infiltrabilidade e permeabilidade.

Posteriormente com a adaptação do procedimento de compactação desenvolvido por Parsons (1976), e a introdução do ensaio de Perda de Massa por Imersão em água permitiram o desenvolvimento de uma classificação geotécnica (Nogami e Villibor, 1980, 1981), mais tarde denominada Classificação MCT.

Em 1985, Nogami e Villibor apresentaram um procedimento subminiatura, com uso de corpos de provas de 26 mm de diâmetro e vários procedimentos para determinação da capacidade de suporte Mini-CBR no campo.

Ensaios

Os ensaios de compactação da Sistemática MCT (Mini-Proctor e Mini-MCV) que geram os CPs para determinação das propriedades mecânicas e hídricas, apresentam como principais características:

  • Aplicável para solos tropicais, que passam integralmente na peneira de 2,0 mm, tolerando-se até 5% retido nesta peneira.
  • Compactação em equipamento miniatura, adaptado ao procedimento desenvolvido na Universidade de Iowa (Laufler et al, 1960), com uso de moldes cilíndricos de 50 mm de diâmetro e compactação em seção plena através golpes de soquete (diâmetro do pé do soquete igual ao do molde).

 

Além de ensaios de laboratório em CPs compactados, a MCT abrange ensaios realizados in situ e em amostras indeformadas.

Sendo os ensaios da Sistemática MCT ainda pouco conhecidos no meio rodoviário brasileiro, será apresentada a execução passo a passo de cada um, de forma didática, assim como exemplos aplicativos dos mesmos:

Ensaio de Compactação Mini-Proctor

Ensaio Mini-CBR e Expansão

Ensaio de Contração Axial

Ensaio de Infiltrabilidade e Permeabilidade

Ensaio de Compactação Mini-MCV

Ensaio de Penetração da Imprimadura Betuminosa

Ensaio Mini-CBR de Campo por Penetração Dinâmica

Ensaio da Perda de Massa por Imersão

Classificação Geotécnica MCT

 

Autores:

Douglas Fadul Villibor

Driely M. Lancarovici Alves

 

2 Comments For This Post

  1. Marcos Baia Says:

    Prezados boa noite!

    Sou mestrando e tenho algumas dúvidas pertinentes a metodologia, conforme descrições abaixo:
    1) A leitura inicial do extensômetro a ser considerada é a leitura de calibragem de contato do soquete com o prolongador ou da soquete com o solo antes do primeiro golpe?
    2) Após a sessão de golpes, ao preparar o cp para perda de imersão, devo retirar as duas tampas de acrílico ou posso deixar somente a que fez o fundo do cp?
    3) No inicio do enchimento do recipiente plástico para ensaio de imersão observei que o cp apresentou desprendimento logo no enchimento, além disso houve espalhamento do material desprendido no interior do vasilhame fora da cuba, portanto gostaria de saber se esse material fora da cuba ao final do tempo minimo de 20horas deve ser coletado para o interior da cuba ou devo considerar, somente o que realmente caiu diretamente na cuba?

    Certo da colaboração do senhores

    Abs

    Marcos Baia

  2. portaldetecnologia Says:

    Boa tarde, Marcos.

    1) A leitura inicial para calibragem do compactador é realizado com um cilindro padrão maciço de 50 mm de altura, que depois é retirado para a compactação do solo.
    2) Quanto ao ensaio de perda de massa, deve ser retirado os discos de polietileno das duas faces do CP.
    3) Sobre o desprendimento logo no início da imersão do CP, se o desprendimento do solo foi em bloco, deve ser considerado um fator de correção de 0,5 no cálculo da Pi, caso contrário o Pi é calculado normalmente.
    É importante que todo o solo desprendido na imersão seja considerado no cálculo da Pi. Portanto, sugiro que seja utilizado um recipiente maior para a coleta, evitando que o solo cai fora dele.

    Recomendo a consulta da parte 2 do Livro Pavimentos Econômicos: http://www.portaldetecnologia.com.br/pavimentacao-obras/pavimentos-economicos-tecnologia-do-uso-dos-solos-finos-lateriticos/ (download gratuito

    Esperamos ter ajudado!

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