Laura Fortes
A Patagônia Argentina além de ser um dos lugares mais belos para se conhecer é também um lugar em que se aprende com a exuberância da natureza. Interessantissimo para quem gosta de viajar, sendo que o principal roteiro de viagem pela região consiste de três cidades especialmente imperdíveis – El Chalten, El Calafate e Ushuaia.
El Calafate fica a beira do Lago Argentino e, El Chaltén, mais próximo ao Lago Viedma. Ambas as cidades são pequenas e tranqüilas. As principais atrações são as caminhadas que levam à vistas incríveis – como o Fitz Roy e o Cerro Torre – combinando a neve das montanhas e uma vegetação desértica com lagos de águas incrivelmente azuis, de forma tão surpreendente que é impossível não se apaixonar pela paisagem.
Além de uma viagem como essas ser extremamente agradável e repleta de vistas magníficas, também nos leva a pensar mais, do ponto de vista de um turista, a relação da preservação do meio ambiente. Tanto El Calafate como El Chaltén são cidades turísticas, e tratam o turismo de forma adequada – não agressiva à natureza. Nos passeios, as pessoas se deparam com as paisagens da Patagônia Argentina – um pedaço de natureza maravilhosa, que o homem pode visitar e admirar.
As trilhas de caminhadas são bem sinalizadas, mas não deixam de ser uma trilha na natureza, com subidas e descidas um tanto quanto acentuadas em alguns trechos. Os percursos não são nada extremamente cansativos, mas alguns exigem um preparo mínimo de resistência. Através das trilhas, as pessoas podem alcançar belíssimos mirantes naturais sem invadir de forma agressiva a natureza, e acabam se apaixonando pela paisagem. Torna-se inaceitável para quem vai para um lugar assim, a idéia de exploração, ou qualquer forma de destruição por interesse pessoal. Com isso, o turismo pode ser visto de forma muito positiva. Além de sustentarem as cidades do entorno, os turistas se tornam admiradores da paisagem e desempenham o papel de fiscalizadores do lugar contra qualquer agressão.
É muito diferente de um turismo extremamente comercial e invasivo, que prioriza o conforto do homem sem combinar com a necessidade de preservação, e invade a paisagem de forma agressiva. Nestes casos, o próprio homem que esta lá para admirar a natureza, mesmo sem querer ou até sem saber, acaba contribuindo com sua degradação.
A viagem também chama atenção para a preservação do meio não só na escala local do turismo, mas mundial, ou seja, como o desequilíbrio global ambiental afeta aquele meio. Enquanto, neste caso, o turismo local pode ser visto de forma positiva, a desatenção mundial com o meio ambiente leva a uma decepção. É o que pode se observar com a diminuição visível das geleiras argentinas. Por exemplo, o glaciar do Perito Moreno é um glaciar enorme que localizado na margem do Lago Argentino, que em certo ponto é como uma barragem natural do lago. Ele passa por todo um ritual de desmoronamento de tempos em tempos devido à água do lago que faz pressão e vai quase que “cavando” a parte inferior da geleira e chega a fazer uma passagem – como um portal entre um lado e o outro do canal, até chega uma hora que a parte de cima desmorona e tudo começa a se formar novamente.
Além do glaciar já ser maravilhoso por si só, todo esse processo de desmoronamento, e o ciclo de formação da passagem, dá ainda mais vida e movimento ao local, tornando–o ainda mais especial e fascinante. No entanto o que tem se observado no glaciar é sua diminuição cada vez mais rápida decorrente do aquecimento global. Não só dele, mas de todas as geleiras patagônicas. É muito triste se deparar com um lugar tão belo sofrendo por interesses humanos mesmo que de forma indireta.
Ushuaia é mais uma cidade imperdível do roteiro de viagem da patagônia. A cidade fica às margens do canal de Beagle, próximo ao parque nacional da Terra do Fogo, e é também a cidade mais ao sul do mundo. É conhecida como terra do fogo por causa do fogo que os nativos faziam para se aquecerem – os Yámanas – que foram vistos pela primeira vez por Charles Darwin, em sua expedição sobre a origem das espécies. Como a cidade está na ponta do extremo sul do continente, ela recebe ventos vindos de muitas direções, e por conta disso, o clima da cidade varia muito rapidamente: em um dia ocorrem as quatro estações do ano, mudando rapidamente de um calor ensolarado para um clima frio e chuvoso.
A partir de Ushuaia também pode-se aproximar de barco de pingüineras – onde pingüins habitam e se reproduzem. O barco se aproxima do local sempre mantendo uma distância mínima, e ninguém pode descer, respeitando assim, o espaço dos pingüins. Estes que já sentem as diferenças climáticas.
Uma viagem como essas, por exemplo, leva as pessoas a terem um contato e uma noção mais real do lugar. A paisagem deixa de ser uma simples imagem bonita e ganha toda uma espacialidade e importância. A possibilidade de vivenciar o lugar, desperta uma real consciência da necessidade de preservação, não só daquele meio, mas do meio ambiente como um todo.






