As principais aplicações desta metodologia são: – Classificação dos solos. – Propriedades geotécnicas. – Critérios de escolha e priorização de solos para bases. – Dosagem de misturas com solos lateríticos. – Dosagem de imprimaduras asfálticas. Neste item serão abordadas a classificação e as propriedades geotécnicas dos solos lateríticos. Os critérios de escolha e priorização de solos para bases, dosagem de misturas e imprimaduras asfálticas, serão enfocados no capítulo 5.
Classificação dos Solos com uso da Metodologia MCT.
A classificação dos solos com uso da Metodologia MCT foi desenvolvida especialmente para o estudo de solos tropicais e baseada em propriedades mecânicas e hídricas obtidas de corpos de prova compactados de dimensões reduzidas. Essa classificação não utiliza a granulometria, o limite de liquidez e o índice de plasticidade, como acontece no caso das classificações geotécnicas tradicionais. Separa os solos tropicais em duas grandes classes: os de comportamento laterítico e os de comportamento não laterítico. Os solos lateríticos e saprolíticos, segundo a classificação MCT, podem pertencer aos seguintes grupos: – Solos de comportamento laterítico, designados pela letra L, sendo subdivididos em 3 grupos: – LA – areia laterítica quartzosa. – LA’ – solo arenoso laterítico. – LG’ – solo argiloso laterítico. – Solos de comportamento não laterítico (saprolítico), designados pela letra N, sendo subdivididos em 4 grupos: – NA – areias, siltes e misturas de areias e siltes com predominância de grão de quartzo e/ou mica, não laterítico. – NA’- misturas de areias quartzosas com finos de comportamento não laterítico (solo arenoso). – NS’- solo siltoso não laterítico. – NG’- solo argiloso não laterítico. Para se classificar os solos lateríticos e saprolíticos, através da Metodologia MCT, utiliza-se o gráfico da figura 14, no qual a linha tracejada separa os solos de comportamento laterítico dos de comportamento não laterítico. 
O gráfico foi elaborado a partir do conhecimento dos coeficientes c’ (eixo das abscissas) e e’ (eixo das ordenadas). O coeficiente c’, denominado de coeficiente de deformabilidade, é obtido com o ensaio Mini-MCV. O ensaio Mini-MCV, como já comentado, consiste na aplicação de energias crescentes (produzidas pelo aumento do número de golpes do soquete compactador) até que se atinja um valor máximo de densidade. Esse ensaio é de massa constante, fixada em 200 g de material. Os resultados obtidos também podem ser utilizados no controle da compactação e na previsão da erodibilidade. O coeficiente c’, para a classificação de solos, é obtido por meio do coeficiente angular da parte retilínea da curva de deformabilidade que mais se aproxima do valor Mini-MCV igual a 10. Este coeficiente indica a argilosidade do solo, ou seja, um c’ elevado (acima de 1,5) caracteriza as argilas e solos argilosos, enquanto valores baixos (abaixo de 1,0) caracterizam as areias e os siltes não plásticos ou pouco coesivos. No intervalo entre 1,0 e 1,5 situam-se diversos tipos de solos, como areias siltosas, areias argilosas, argilas arenosas e argilas siltosas. O coeficiente e’ é calculado a partir do coeficiente d’ (inclinação da parte retilínea do ramo seco da curva de compactação, correspondente a 12 golpes do ensaio de Mini-MCV) e da perda de massa por imersão Pi (porcentagem da massa desagregada em relação à massa total do ensaio quando submetida à imersão em água), expresso pela expressão:

Detalhes dos procedimentos de cálculo dos coeficientes c’ e e’, e ensaios associados, encontram-se no livro “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos” de Nogami e Villibor, 1995.
Propriedades Geotécnicas dos Solos
A Metodologia MCT apresenta uma série de ensaios que medem as propriedades mecânicas e hídricas dos solos, por meio de determinações em corpos de prova de dimensões reduzidas. Os ensaios preconizados pela Metodologia MCT são utilizados para diversas finalidades: – Estudo de solos para a utilização como bases de pavimentos. – Estudo de erodibilidade dos solos com os ensaios de Mini-MCV e perda de suporte por imersão, etc. Portanto, a Metodologia MCT é utilizada para diversas aplicações práticas e, para cada uma dessas aplicações, emprega-se um elenco de ensaios: – Obtenção do suporte Mini-CBR e expansão, para a definição do universo do subleito para efeito de dimensionamento de um pavimento, quando o subleito é constituído por solos finos, ou seja, no máximo 5% de grãos retidos na peneira de abertura de 2,00 mm. – Obtenção do suporte Mini-CBR, expansão, contração, relação RIS e sorção, para efeito de dosagem, por exemplo: mistura de argila laterítica com areia (ALA) para emprego como base de pavimento. Os intervalos das propriedades mecânicas e hídricas admissíveis, para que bases executadas com solos lateríticos apresentem comportamento satisfatório, são os seguintes: – Mini-CBR sem imersão ……………. $ 40% – Perda de suporte por imersão …… # 50% – Expansão, sem sobrecarga ………. < 0,3% – Contração ……………………….. 0,1 a 0,5 % – Coeficiente de sorção ……………… 10-2 a 10-4 cm / min1/2
Nota: Intervalos de Propriedades Geotécnicas obtidos na Energia Intermediária do Mini-Proctor. A tabela 1 ilustra as propriedades geotécnicas associadas com as propriedades físicas de camadas acabadas e seus principais problemas e defeitos construtivos. A tabela 2 ilustra valores das propriedades geotécnicas de sete solos de comportamento laterítico e de sete solos de comportamento não laterítico (saprolítico). As amostras foram numeradas com número ímpar, quando de natureza laterítica, e com número par, quando de natureza saprolítica.
Os valores das propriedades geotécnicas de alguns solos determinados com o emprego dos ensaios da Metodologia MCT revelaram a inaplicabilidade dos limites estipulados pelas classificações tradicionais de: 25% para o limite de liquidez (LL) e 6% para o Índice de Plasticidade (IP), para o caso de solos e condições ambientais tropicais. Alguns solos tropicais saprolíticos que apresentam baixo LL e baixo IP, (dentro dos limites tradicionais anteriormente referidos) expandem-se bastante quando compactados nas condições exigidas pelas normas rodoviárias e imersos em água. Isto acontece, sobretudo nos solos saprolíticos ricos em siltes caoliníticos e/ou micáceos. Muitos solos de comportamento laterítico, similares aos das amostras 01, 03, 05 e 07 da tabela 2, são usados em bases de SAFL mesmo com IP e LL bem superiores aos recomendados para essa camada (IP ? 6% e LL ? 25%). Pela análise da tabela 2 constata-se que pares de solos de um mesmo grupo da classificação HRB apresentam valores das propriedades mecânicas e hídricas bastante diferentes entre si, quando o esperado seria apresentarem propriedades similares. Por exemplo, os pares de amostras 05 e 06 e 07 e 08, respectivamente de classificação A-4 e A-6, demonstram essas diferenças com solos de um mesmo grupo. Esse fato mostra que a classificação tradicional não é adequada para diferenciar solos tropicais de um mesmo grupo, quando apresentam formações genéticas distintas, como é o exemplo dos solos lateríticos e saprolíticos. Já os mesmos pares de solos, quando classificados pela MCT, acham-se em grupos diferentes ou seja: 05 (LA’), 06 (NS’), 07 (LG’) e 08 (NS’), com valores de propriedades diferentes entre eles e compatíveis com seu real comportamento, quando usados como camada de base e para outras finalidades rodoviárias. Portanto, a classificação MCT tem uma abrangência mais ampla e mais realística, quando aplicada no Brasil, em relação à classificação tradicional ainda em uso. Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros)