Geotecnia

Ensaio de Compactação Mini-MCV

É, basicamente, um ensaio de compactação com várias energias, e o equipamento utilizado é o mesmo indicado na figura 3.1. A Compactação MCV (Moisture Condition Value), proposta em 1976 por Parsons, do Road Research Laboratory, utiliza cp de 100 mm de diâmetro; na Compactação Mini-MCV o diâmetro é de 50 mm. O processo consiste em aplicar ao corpo de prova, com um determinado teor de umidade, um número crescente de golpes até não haver acréscimo sensível em sua densidade. Durante o processo de compactação são realizadas medidas da altura do corpo de prova para determinação das MEAS. A cada teor de umidade de compactação (Hc), corresponde uma curva de deformabilidade; o coeficiente angular, dado pela inclinação de cada uma delas, é denominado coeficiente c’ e a obtenção do seu valor é apresentada no subitem 3.3.2.
 

Geralmente, ao longo de uma larga faixa de teores de umidade, o valor de c’ é pouco variável nas argilas e solos argilosos e bastante variável nos solos siltosos e arenosos. Devido a isto, para seu cálculo, foi necessária a fixação de uma curva Mini-MCV de referência.
 

Para fins classificatórios adotou-se a curva de deformabilidade correspondente ao Mini-MCV = 10, que, entretanto, raramente pode ser obtida na prática, a partir dos resultados de ensaios. Utiliza-se, então, uma curva traçada por interpolação gráfica, que fornece o valor de c’ com precisão suficiente para tal fim.
 

O coeficiente d’ é a inclinação, medida nas proximidades da MEASmáx, da parte retilínea do ramo seco da curva de compactação correspondente a 12 golpes no ensaio Mini-MCV; seu valor é obtido com a escala da MEASmáx em kg/m3 e a umidade em %, pela expressão:

 

 

Os coeficientes c’ e d’ são de grande utilidade prática na identificação dos solos tropicais e para o uso da Classificação Geotécnica MCT.
 

Esse procedimento permite obter uma família de curvas de compactação que é muito útil, tanto para a determinação da energia de compactação mais apropriada para finalidades específicas, quanto para o controle geotécnico da compactação no campo. Para melhores detalhes, vide parte inferior da figura 3.20 e o M5 no Anexo II do livro “Pavimentos Ecônomicos”.

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Ensaio da Penetração da Imprimadura Betuminosa

É efetuado em corpos de prova providos de uma depressão na face superior (com aproximadamente 1,5 mm de profundidade e 35 mm de diâmetro), produzida mediante a introdução de um macho circular apropriado, na fase de compactação dos corpos de prova.
Na depressão referida efetua-se a imprimação com asfalto diluído, deixando a área imprimada em repouso para curar a imprimadura. Após a cura da mesma, parte-se o cp, no sentido longitudinal, e mede-se a penetração da imprimadura asfáltica, no mínimo em seis locais. A média dessas medidas é considerada como a penetração da imprimadura na amostra. Para maiores detalhes, vide M-6 no Anexo II.
Esse ensaio correlaciona o valor obtido em laboratório com a penetração da imprimadura que será obtida na base, quando imprimada.

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Ensaio Mini-CBR de Campo – Procedimento Dinâmico

Os ensaios de suporte in situ podem ser efetuados com facilidade devido à pequena carga necessária: cerca de 500 kgf para base e menos de 100 kgf para subleitos naturais não compactados. As amostras indeformadas podem ser obtidas, facilmente com o uso de camisas metálicas. No método M-7 é apresentado o procedimento em que a carga é produzida por um golpe de soquete tipo leve, do mesmo tipo usado no Mini-Proctor, porém com algumas adaptações.

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Ensaio da Perda de Massa por Imersão

Este ensaio fornece uma das propriedades consideradas na classificação geotécnica dos solos tropicais, compactados da maneira estabelecida pela Sistemática MCT. Para sua execução os corpos de prova devem ser compactados segundo o método Mini-MCV e somente poderão ser aproveitados aqueles dos quais se possa obter uma curva de deformabilidade completa. Os cp escolhidos são extraídos apenas parcialmente, a fim de que fiquem expostos, exatamente, 10 mm da sua parte inferior; a seguir, os cp são imersos em água e é feita a pesagem das massas desprendidas (vide figura 3.10).
A “Perda de Massa por Imersão Pi” é calculada por:

 

 

Onde:
Mi = Massa seca desprendida [g].
Ms = Massa seca do corpo de prova, logo após a sua compactação [g].
Lcp = Altura final do cp, logo após a compactação [mm].
Lf = 10 mm = Altura do Cp, para molde.
Fc = 1,0 quando ocorre um despreendimento normal (esperado).
Fc = 0,5 quando a parte desprendida é um monobloco (exceção).
Pi = 100 MMis x x L Lcfp Fc [%]

A perda Pi será utilizada para fins classificatórios da MCT e poderá,também, dar subsídios ao estudo da erodibilidade do solo. Para maiores detalhes, vide M8 no Anexo II.

Foto ilustrativa e croqui do ensaio.

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Modificações Recentes na Classificação Geotécnica MCT

34.a REUNIÃO ANUAL DE PAVIMENTAÇÃO – 34.ª RAPv
CAMPINAS – SP – Agosto de 2003
MODIFICAÇÕES RECENTES NA CLASSIFICAÇÃO GEOTÉCNICA MCT

Job shuji Nogami & Douglas Fadul Villibor

Resumo

O trabalho apresenta modificações na tabela e no gráfico da classificação geotécnica MCT, para solos tropicais, respectivamente para uso na fase preliminar expedita do método das pastilhas e para a fase definitiva baseada em resultados obtidos a partir de corpos de prova compactados. Essas modificações tornaram-se necessárias face à introdução de novos procedimentos de ensaio após 1994, bem como pela obtenção de resultados de novos tipos de solos após o ano citado. Os referidos procedimentos são descritos sumariamente e são apresentados esquemas que permitem a construção artesanal de aparelhagem necessária, sobretudo para o procedimento visual-táctil do método das pastilhas.

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Estudos Geotécnicos de Jazidas

Estudos Geotécnicos de Jazidas

Os estudos para a obtenção das características geotécnicas dos solos de jazidas (áreas de empréstimos) são semelhantes aos dos solos do subleito, havendo apenas pequenas adaptações referentes a: – Amostragem sistemática. – Ensaios geotécnicos. – Serviços de escritório. Serviços de Campo e Laboratório (Amostragem Sistemática e Ensaios Geotécnicos) O estudo geotécnico de jazidas para o uso em aterro, reforço do subleito, sub-base e base, será feito por métodos convencionais, com uma rede de poços de investigação espaçados, de 30 metros, nos dois sentidos, conforme ilustrado na figura 16. A dimensão poderá ser aumentada até 50 metros, em função da área de empréstimo, desde que a malha estudada permita a

caracterização adequada dos materiais ocorrentes. perfil_geotecnico_jazida

As amostras deverão ser coletadas em dois níveis de profundidade, ou seja, de 0,5 m até 2,0 m e de 2,0 m até a cota final de exploração (ver figura acima). Constarão do estudo geotécnico, no mínimo, 09 amostras representativas de cada camada do perfil de solo encontrado, que serão submetidas aos seguintes ensaios: – Classificação MCT. – Análise granulométrica em 50% das amostras, ou em furos alternados. – Teor de umidade. – Compactação Mini-Proctor na Energia Normal. – Suporte CBR ou Mini-CBR, e expansão. O ensaio Mini-CBR é empregado somente quando o material apresentar granulometria com 95% passando na peneira com malha de abertura nominal de 2,00 mm. Caso contrário, utiliza-se o CBR convencional.

Serviços de Escritório

Os serviços de escritório constam de elaboração de plantas, perfis e plano de exploração. Devem conter as informações indicadas na Figura 16, além dos dados relativos à análise granulométrica, capacidade de suporte CBR ou Mini-CBR, classificação MCT, teor de umidade, massa específica aparente seca máxima etc.

Aplicações da Metodologia MCT em Bases de Pavimentos

A Metodologia MCT permitiu o desenvolvimento de novos tipos de bases para pavimentos constituídas por solos tropicais considerados impróprios pelos critérios tradicionais desenvolvidos para climas frios e temperados.Os materiais empregados em bases de pavimentos rodoviários e urbanos, para baixo volume de tráfego, podem ser solos lateríticos finos in natura ou misturas desses com agregados naturais ou britados. Os seguintes tipos de bases para pavimentos serão enfocados: – Bases de Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL). – Bases de Solo Argiloso Laterítico e Areia (ALA). – Bases de Solo Laterítico e Agregado de Granulometria Descontínua (SLAD). – Bases de Argila Laterítica.

Bases de Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL)

Considerações Iniciais No território brasileiro existem vastas áreas cobertas por espesso manto de solos arenosos finos. O solos da parte superficial desse manto apresentam características próprias devido à atuação de processos pedológicos específicos designados genericamente de laterização. Muitos desses solos são jazidas naturais de solo arenoso fino laterítico (SAFL) apropriados para o emprego em bases de pavimentos. No Estado de São Paulo, o uso rotineiro de bases de solo arenoso fino laterítico ocorreu após 1975. Entretanto a primeira utilização de solos lateríticos de granulação fina (argilosos ou arenosos) em camadas de pavimentos no Estado de São Paulo ocorreu ainda na década de 50, quando foram utilizados em camadas de reforço do subleito. Esse procedimento foi adotado diante do elevado valor de capacidade de suporte CBR apresentado por esses solos, apesar de possuírem outras características consideradas não muito favoráveis pelos procedimentos tradicionais de classificação dos solos. Portanto, de 1950 até 1975, esses solos in natura só eram usados em pavimentação como camadas de reforço do subleito ou sub-bases. Pelo fato de os solos constituintes dessas camadas se encontrarem confinados pela base e, eventualmente pela sub-base, não havia grande preocupação por parte do meio técnico quanto ao trincamento ou mesmo quanto à qualidade do acabamento da superfície dessas camadas. Para controle da qualidade dos subleitos e das sub-bases, limitava-se à obtenção de um grau de compactação que garantia um suporte, expresso em termos de CBR, especificado para a camada. Para o caso do uso de solo arenoso fino laterítico em bases de pavimentos, outras características são decisivas para o seu sucesso, pois tais camadas praticamente não são confinadas, e recebem sobre si apenas um revestimento betuminoso esbelto, com espessura máxima de 3,0 cm. Mesmo assim, devem absorver os esforços provenientes da construção do revestimento, apresentar boa aderência à camada de revestimento, suportar os esforços verticais e horizontais provenientes do tráfego e resistir à ação das intempéries. Há solos arenosos finos lateríticos para emprego em bases de pavimentos em 50% do Estado de São Paulo. Há grande ocorrência destes solos também nos Estados do Paraná, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Minas Gerais. Até a presente data, já foram executados aproximadamente 12.300 km de rodovias vicinais com bases de solo arenoso fino laterítico. Desses, 8.000 km apenas no Estado de São Paulo. Em termos de vias urbanas, já foram construídos mais de 12 milhões de m2 de bases de SAFL em todo o território nacional. Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros).

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Estudos Geotécnicos dos Solos do Subleito

Estudos Geotécnicos dos Solos do Subleito

Os estudos dos solos do subleito objetivam a obtenção dos parâmetros geotécnicos do subleito, a partir de serviços de campo e laboratório. Esses serviços são complementados por serviços de escritório, que abrangem a elaboração de perfis geotécnicos com as características dos solos, indicações dos universos de solos para subleito e plano de exploração para jazidas.

Serviços de Campo e Laboratório

Os serviços de campo e laboratório envolvem o reconhecimento preliminar de campo, a amostragem sistemática e ensaios geotécnicos. Os estudos preliminares de campo desempenham papel importante pelo fato de possibilitarem a obtenção de alguns parâmetros de maneira expedita, mediante o uso de procedimentos práticos e de equipamentos de fácil manuseio. Com as informações disponíveis em mapas pedológicos, geológicos e geotécnicos, é feita uma vistoria in situ por profissionais especializados, com comprovada experiência na área, para a obtenção das seguintes informações básicas: – Existência ou não de revestimento primário nas vias. – Condições topográficas e aspectos ligados à drenagem superficial e profunda das vias em questão. – Identificação expedita, táctil-visual, do subleito e das jazidas, para a verificação da mineralogia e granulometria dos solos, macroestrutura e cor etc. A partir dessas informações e da identificação genética do material, serão programadas as fases de amostragem sistemática e ensaios geotécnicos. A amostragem da via para fins geotécnicos será feita através de furos de sondagens com espaçamento máximo, entre dois furos consecutivos no sentido longitudinal, de 75 metros, devendo-se fazer furos intermediários, a cada 25 metros, para simples identificação táctil-visual dos materiais encontrados. Os furos e sondagens deverão ser locados com base nas informações obtidas no reconhecimento preliminar de campo. As sondagens que servirão para reconhecimento (análise táctil-visual), coleta de amostras, traçado do perfil geotécnico do subleito e anotação da cota do nível d’água (se constatado), serão executadas com auxílio de equipamentos manuais (trado-espiral, cavadeira, pá etc.). A profundidade das sondagens, em relação ao greide de fundação do pavimento será de 1,50 metro ou mais, no caso de ocorrência de solos imprestáveis (solos atípicos) sujeitos à remoção. Nesse caso, essa área de material impróprio deve ser delimitada e o projeto deverá dar um tratamento adequado a ela. A amostragem das camadas representativas do revestimento primário e do subleito, visando à obtenção de suas características geotécnicas, será feita conforme descrito a seguir. - Subleito Natural Para esse procedimento, entende-se como subleito natural, no seu estado atual, o subleito sem presença de material pétreo lançado. A coleta de amostras será no primeiro metro abaixo do greide de fundação do pavimento e deverá ser representativa das camadas encontradas. – Subleito com Camada de Revestimento Primário Quando as vias existentes apresentarem camada de revestimento primário em espessura superior a 10 cm, com materiais pétreos, escória ou entulho de boa qualidade, em porcentagem superior a 30% em peso (material retido na peneira de 2,00 mm), deverão ser coletadas amostras, separadamente, da camada de revestimento primário e das camadas do subleito até a profundidade de 1,00 metro abaixo do greide de fundação do pavimento. A programação dos ensaios geotécnicos, tanto in situ quanto em laboratório, será baseada em informações obtidas no reconhecimento preliminar de campo e no levantamento topográfico (plani-altimétrico cadastral). Com esses dados o projetista poderá pré-definir o greide de implantação do pavimento e, portanto, prever a possibilidade de utilização de algumas camadas em suas condições locais. Os ensaios geotécnicos, já descritos anteriormente, serão feitos para avaliar os materiais entre 0 e 1,00 metro abaixo do greide de fundação do pavimento, em duas camadas de aproximadamente 0,50 m. No caso dos ensaios laboratoriais, as amostras representativas dessas duas camadas, se identificadas como iguais (táctil-visual e granulometricamente), poderão ser ensaiadas em uma única amostra representativa do horizonte.

Serviços de Escritório

Os serviços de escritório orientam a elaboração de documentos geotécnicos do projeto, constando de plantas e perfis e deverão conter estas informações: – Características Geotécnicas: – Identificação táctil-visual, incluindo a cor de cada camada. – Classificação MCT da fração do solo que passa na peneira de 2,00 mm. – Massa específica aparente seca máxima. – Teor de umidade ótima. – Granulometria. – Índice de suporte in situ, e moldado em laboratório. – Indicações dos Universos de Solos Os universos serão definidos, para efeito de dimensionamento, segundo um dos critérios: – Por meio de intervalos de Índice de Suporte, Mini-CBR ou CBR, com Expansão # 2%: U1: Solos com CBR ou Mini-CBR < 4%; U2: Solos com 4% # CBR ou Mini-CBR < 8%; U3: Solos com 8% # CBR ou Mini-CBR < 12%; U4: Solos com CBR ou Mini-CBR $ 12%. Opcionalmente poderá ser utilizada a classificação MCT, para a determinação dos universos de solos: UL: Solos Lateríticos, pertencentes aos grupos LA’ e LG’, e com Mini-CBR $ 8%; UN: Solos Saprolíticos, pertencentes aos grupos NS’ e NG’, e com Mini-CBR # 8%. Os demais grupos da classificação MCT (NA’, NA, LA) devem ser estudados isoladamente. A figura 15 ilustra um perfil geotécnico do subleito de uma via urbana. A distância entre os furos de sondagem, recomendadas para estudos geotécnicos em vias urbanas, é de 25 m. Caso um quarteirão tenha menos que 75 m, deverão ser locados furos de sondagem e amostrados seus solos em, no mínimo, 3 locais. subleito_via_urbana Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros)

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Tecnologia do Uso de Solos Lateríticos em Pavimentação – Estudos Geotécnicos

Tecnologia do Uso de Solos Lateríticos em Pavimentação – Estudos Geotécnicos

O estudo para a obtenção das características geotécnicas dos solos do subleito e de jazidas para o emprego como camadas de reforço do subleito, sub-bases e bases, abrange as atividades ilustradas no fluxograma 2: fluxograma_estudos_geotecnicos A nomenclatura para identificação dos materiais no perfil dos solos será feita de acordo com o exposto a seguir.

Designação das frações dos Materiais

- Fração Pedregulho: grãos minerais que passam na peneira de 38 mm, mas são retidos na de 2 mm de abertura nominal. – Fração Solo: grãos minerais que passam na peneira de 2 mm de abertura nominal. A fração deverá ser classificada de acordo com a “Classificação de Solos Tropicais segundo a Metodologia MCT – ME.54” da Prefeitura Municipal de São Paulo, e apresentar a seguinte nomenclatura: – Classe de Comportamento Laterítico: designada pelo prefixo “L”, subdividida nos seguintes grupos: – LA – Areia Laterítica. – LA’ – Solo Arenoso Laterítico. – LG’ – Solo Argiloso Laterítico. – Classe de Comportamento Não Laterítico: designada pelo prefixo “N”, subdividida nos seguintes grupos: – NA – Areia Não Laterítica. – NA’ – Solo Arenoso Não Laterítico. – NS’ – Solo Siltoso Não Laterítico. – NG’ – Solo Argiloso Não Laterítico. Designação dos Materiais - Quanto à Predominância das Frações: quando não houver fração retida na peneira de 2 mm, o material será designado simplesmente de solo. – Solo com Pedregulho: quando a fração retida na peneira de 2mm estiver compreendida entre 10% e 50%, a nomenclatura deverá ser acompanhada de indicação “com pedregulho”. Ex.: areia não laterítica com pedregulho. - Pedregulho: quando a fração retida na peneira de 2mm for maior que 50%, a palavra “pedregulho” deve preceder a classificação do solo. Ex.: Pedregulho com solo siltoso não laterítico. – Quanto à Presença de Constituintes Especiais: – Com mica: quando for observada a presença de mica, deverá ser anotada a indicação “com mica”. Ex.: solo siltoso não laterítico, com mica. – Com matéria orgânica: quando for observada a presença de matéria orgânica, deverá ser anotada a indicação “com matéria orgânica”. Ex.: solo argiloso não laterítico, com matéria orgânica. Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros).

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Aplicações Práticas da Metodologia MCT

Aplicações Práticas da Metodologia MCT

As principais aplicações desta metodologia são: – Classificação dos solos. – Propriedades geotécnicas. – Critérios de escolha e priorização de solos para bases. – Dosagem de misturas com solos lateríticos. – Dosagem de imprimaduras asfálticas. Neste item serão abordadas a classificação e as propriedades geotécnicas dos solos lateríticos. Os critérios de escolha e priorização de solos para bases, dosagem de misturas e imprimaduras asfálticas, serão enfocados no capítulo 5.

Classificação dos Solos com uso da Metodologia MCT.

A classificação dos solos com uso da Metodologia MCT foi desenvolvida especialmente para o estudo de solos tropicais e baseada em propriedades mecânicas e hídricas obtidas de corpos de prova compactados de dimensões reduzidas. Essa classificação não utiliza a granulometria, o limite de liquidez e o índice de plasticidade, como acontece no caso das classificações geotécnicas tradicionais. Separa os solos tropicais em duas grandes classes: os de comportamento laterítico e os de comportamento não laterítico. Os solos lateríticos e saprolíticos, segundo a classificação MCT, podem pertencer aos seguintes grupos: – Solos de comportamento laterítico, designados pela letra L, sendo subdivididos em 3 grupos: – LA – areia laterítica quartzosa. – LA’ – solo arenoso laterítico. – LG’ – solo argiloso laterítico. – Solos de comportamento não laterítico (saprolítico), designados pela letra N, sendo subdivididos em 4 grupos: – NA – areias, siltes e misturas de areias e siltes com predominância de grão de quartzo e/ou mica, não laterítico. – NA’- misturas de areias quartzosas com finos de comportamento não laterítico (solo arenoso). – NS’- solo siltoso não laterítico. – NG’- solo argiloso não laterítico. Para se classificar os solos lateríticos e saprolíticos, através da Metodologia MCT, utiliza-se o gráfico da figura 14, no qual a linha tracejada separa os solos de comportamento laterítico dos de comportamento não laterítico. classificacao_MCT

O gráfico foi elaborado a partir do conhecimento dos coeficientes c’ (eixo das abscissas) e e’ (eixo das ordenadas). O coeficiente c’, denominado de coeficiente de deformabilidade, é obtido com o ensaio Mini-MCV. O ensaio Mini-MCV, como já comentado, consiste na aplicação de energias crescentes (produzidas pelo aumento do número de golpes do soquete compactador) até que se atinja um valor máximo de densidade. Esse ensaio é de massa constante, fixada em 200 g de material. Os resultados obtidos também podem ser utilizados no controle da compactação e na previsão da erodibilidade. O coeficiente c’, para a classificação de solos, é obtido por meio do coeficiente angular da parte retilínea da curva de deformabilidade que mais se aproxima do valor Mini-MCV igual a 10. Este coeficiente indica a argilosidade do solo, ou seja, um c’ elevado (acima de 1,5) caracteriza as argilas e solos argilosos, enquanto valores baixos (abaixo de 1,0) caracterizam as areias e os siltes não plásticos ou pouco coesivos. No intervalo entre 1,0 e 1,5 situam-se diversos tipos de solos, como areias siltosas, areias argilosas, argilas arenosas e argilas siltosas. O coeficiente e’ é calculado a partir do coeficiente d’ (inclinação da parte retilínea do ramo seco da curva de compactação, correspondente a 12 golpes do ensaio de Mini-MCV) e da perda de massa por imersão Pi (porcentagem da massa desagregada em relação à massa total do ensaio quando submetida à imersão em água), expresso pela expressão:

formula

Detalhes dos procedimentos de cálculo dos coeficientes c’ e e’, e ensaios associados, encontram-se no livro “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos” de Nogami e Villibor, 1995.

Propriedades Geotécnicas dos Solos

A Metodologia MCT apresenta uma série de ensaios que medem as propriedades mecânicas e hídricas dos solos, por meio de determinações em corpos de prova de dimensões reduzidas. Os ensaios preconizados pela Metodologia MCT são utilizados para diversas finalidades: – Estudo de solos para a utilização como bases de pavimentos. – Estudo de erodibilidade dos solos com os ensaios de Mini-MCV e perda de suporte por imersão, etc. Portanto, a Metodologia MCT é utilizada para diversas aplicações práticas e, para cada uma dessas aplicações, emprega-se um elenco de ensaios: – Obtenção do suporte Mini-CBR e expansão, para a definição do universo do subleito para efeito de dimensionamento de um pavimento, quando o subleito é constituído por solos finos, ou seja, no máximo 5% de grãos retidos na peneira de abertura de 2,00 mm. – Obtenção do suporte Mini-CBR, expansão, contração, relação RIS e sorção, para efeito de dosagem, por exemplo: mistura de argila laterítica com areia (ALA) para emprego como base de pavimento. Os intervalos das propriedades mecânicas e hídricas admissíveis, para que bases executadas com solos lateríticos apresentem comportamento satisfatório, são os seguintes: – Mini-CBR sem imersão ……………. $ 40% – Perda de suporte por imersão …… # 50% – Expansão, sem sobrecarga ………. < 0,3% – Contração ……………………….. 0,1 a 0,5 % – Coeficiente de sorção ……………… 10-2 a 10-4 cm / min1/2tabela_ensaio_determinacao Nota: Intervalos de Propriedades Geotécnicas obtidos na Energia Intermediária do Mini-Proctor. A tabela 1 ilustra as propriedades geotécnicas associadas com as propriedades físicas de camadas acabadas e seus principais problemas e defeitos construtivos. A tabela 2 ilustra valores das propriedades geotécnicas de sete solos de comportamento laterítico e de sete solos de comportamento não laterítico (saprolítico). As amostras foram numeradas com número ímpar, quando de natureza laterítica, e com número par, quando de natureza saprolítica. tabela_caracteristicasOs valores das propriedades geotécnicas de alguns solos determinados com o emprego dos ensaios da Metodologia MCT revelaram a inaplicabilidade dos limites estipulados pelas classificações tradicionais de: 25% para o limite de liquidez (LL) e 6% para o Índice de Plasticidade (IP), para o caso de solos e condições ambientais tropicais. Alguns solos tropicais saprolíticos que apresentam baixo LL e baixo IP, (dentro dos limites tradicionais anteriormente referidos) expandem-se bastante quando compactados nas condições exigidas pelas normas rodoviárias e imersos em água. Isto acontece, sobretudo nos solos saprolíticos ricos em siltes caoliníticos e/ou micáceos. Muitos solos de comportamento laterítico, similares aos das amostras 01, 03, 05 e 07 da tabela 2, são usados em bases de SAFL mesmo com IP e LL bem superiores aos recomendados para essa camada (IP ? 6% e LL ? 25%). Pela análise da tabela 2 constata-se que pares de solos de um mesmo grupo da classificação HRB apresentam valores das propriedades mecânicas e hídricas bastante diferentes entre si, quando o esperado seria apresentarem propriedades similares. Por exemplo, os pares de amostras 05 e 06 e 07 e 08, respectivamente de classificação A-4 e A-6, demonstram essas diferenças com solos de um mesmo grupo. Esse fato mostra que a classificação tradicional não é adequada para diferenciar solos tropicais de um mesmo grupo, quando apresentam formações genéticas distintas, como é o exemplo dos solos lateríticos e saprolíticos. Já os mesmos pares de solos, quando classificados pela MCT, acham-se em grupos diferentes ou seja: 05 (LA’), 06 (NS’), 07 (LG’) e 08 (NS’), com valores de propriedades diferentes entre eles e compatíveis com seu real comportamento, quando usados como camada de base e para outras finalidades rodoviárias. Portanto, a classificação MCT tem uma abrangência mais ampla e mais realística, quando aplicada no Brasil, em relação à classificação tradicional ainda em uso. Fonte/ livro: "Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas" – Bases Alternativas com Solos Lateríticos (Douglas F. Villibor e outros)

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